Arquivo mensais:agosto 2008

Uma análise da língua dos anões disponível na Mellonath Daeron

Magnus Åberg da Mellonath Daeron divulgou hoje na lista Lambengolmor um artigo sobre o Khuzdul (a língua dos anões), intitulado An analysis of Dwarvish. Está em inglês, mas completamente atualizado, incluindo o que saiu no Parma Eldalamberon 17.

Eu não consegui ler tudo, mas me pareceu bem completo. Se houver algum comentário de um outro membro da Lambengolmor, sugerindo mudanças ou discutindo alguma forma, eu notificarei vocês aqui.

O misterioso pretérito de lanta-

Por Thorsten Renk — mensagem original na lista Elfling.

Parcialmente para responder a uma discussão com Didier [Willis] sobre por que eu não torno públicas todas as minhas razões para selecionar uma forma em particular sobre outra, eu decidi escrever um estudo de caso aqui, que talvez ilustre que se eu fosse fazer isso em todos os casos, primeiro o curso seria basicamente notas de rodapé, e segundo que o tempo de preparação cresceria pela décima potência ou mais.

A questão apresentada é: Como o pretérito de lanta- “cair” deve ser apresentado? Continue lendo O misterioso pretérito de lanta-

Namárië prosaico e a ordem das palavras em Quenya

Eu publiquei há umas semanas atrás sobre a ordem das palavras em Quenya. Eu só queria adicionar que no livro The Road Goes Ever On há uma versão prosaica de Namárië que talvez ajude:

Yéni únótime ve aldaron rámar “anos incontáveis como das-árvores asas”. Ter o genitivo antes da palavra com a qual ele se relaciona é realmente uma coisa que eu nunca observei em minhas traduções.

Yéni avánier ve linte yuldar lisse-miruvóreva mí oromardi “Anos se-passaram como rápidos goles do-doce-hidromel nos altos-salões”. Se você retirar a comparação aos “rápidos goles do meio”, você tem uma ordem sujeito-verbo-objeto (SVO): yéni avánier mí oromardi “os anos se passaram nos altos-salões”.

Sí man i yulma nin enquantuva? “Agora quem o copo para-mim repreencherá?” A ordem aqui é advérbio-sujeito-artigo-objeto direto-objeto indireto-verbo, a não ser que eu esteja muito ruim de compreensão. Significa que o Quenya prosaico aceita também a ordem de palavra alemã?

An sí Varda, Tintalle, Elentári ortane máryat Oiolosseo ve fanyar. Sem entrar na tradução (quem está estudando já deve ter entrado em contato com o verbo ortanë no Curso de Quenya), agora temos um SVO.

Ar lumbule unduláve ilye tier: Novamente SVO.

Ar sindanóriello mornie caita i falmalinnar imbe met: SVO novamente, pois “a escuridão cai sobre as ondas”.

Ar hísie untúpa Calaciryo míri oiale: SVO mais uma vez.

Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar: Mais um SVO.

É, eu acho que vocês podem utilizar a ordem SVO com bastante segurança para as suas traduções. Ela é encontrada em abundância em uma publicação pós-segunda edição do SdA, sancionada por Tolkien em vida. Quando algo era publicado por Tolkien, ele não voltava atrás, até nas suas “crises revisionistas”.

Tolkien recitando Namárië

Muita gente pergunta como se pronuncia as línguas élficas. Eu acho que a melhor forma de descrever isso é ir direto à fonte:

Uma nota importante: essa versão do Namárië não foi a que entrou nem na 1ª edição de O Senhor dos Anéis em 1954, e nem a segunda de 1966 (que é a que aparece na edição brasileira da Martins Fontes). Então não adianta tentar achar uma correspondência de 1:1 no início do poema (leiam o Curso de Quenya, primeiro capítulo, onde Helge Fauskanger fala das diferenças dessa versão e da versão de 1966.

Lembrem também que Tolkien tinha dicção muito ruim. Ele era jogador de rugby quando estudante, e uma vez quebrou o nariz e quase arrancou a própria língua com seus dentes. A idéia é compreender os sons falados, e não o significado em si!