Gostaria de parabenizar o Helge Fauskanger e a Ardalambion pelo 12º aniversário do site. Foi lá que eu comecei a estudar as línguas élficas, portanto tem um lugar no meu coração sempre.
Pequenos ajustes na tipografia
Fiz alguns pequenos ajustes na tipografia do site, para deixá-lo mais legível e agradável.
Os links voltam a ser verdes, mas desta vez sem sublinhado. Segundo, os títulos têm um sombreado que é visível se você estiver usando o Mozilla Firefox 3.5b5 (não sei do 3.0.10), o Google Chrome ou o Safari, deixando a identificação desses elementos mais fácil.
Aos usuários do Internet Explorer, que ainda são mais da metade das minhas visitas, eu gostaria de recomendar o uso do Google Chrome no momento, porque ele é o mais seguro que eu conheço. Quando vou trabalhar em um escritório é ele que eu instalo.
Quem possuir a fonte Neue Helvetica Pro da Linotype e a Adobe Garamond Pro vai notar que eu configurei para que elas sejam as fontes primárias. Vai também notar que todos os navegadores no Windows, exceto o Safari 4, possuem uma renderização horrenda dessas fontes. Ná coivië! Ao menos elas são bonitas em um navegador!
Por fim, eu consertei um erro que havia me escapado na mudança de layout: a classe de CSS .tengwar estava desconfigurada. Quem for na página das fontes élficas com elas instaladas poderá ver normalmente as Tengwar agora.
Não há harmonia na Terra-média
Não é nenhuma novidade que as línguas élficas tendem a não possuir palavras um tanto comuns para nós, mas eu não esperava que “harmonia” fosse uma delas, como descobri ontem conversando com meu caro amigo Phreddie.
Contudo, não é de ficar muito espantado. Nas quatro vezes que a palavra aparece n’O Silmarillion, três são no contexto musical. A última é Ilúvatar falando como os humanos não utilizariam seus dons em harmonia com os dos elfos. Não há um único uso da palavra harmonia em O Senhor dos Anéis ou O Hobbit, enquanto o Contos Inacabados traz “harmonia” novamente no contexto musical na história de Tuor.
Sabendo que Tolkien é muito cuidadoso com as palavras, é bem provável que ele não quisesse que a palavra “harmonia” fosse separada de sua conotação musical. Nesse caso a etimologia grega com o significado original literal “meio de unir” segundo o Online Etymology Dictionary não ajuda. A palavra anglo-saxã, contudo, ajuda: án-swége, literalmente “um som”, é um ponto de partida muito melhor.
Palavras para “um” não faltam: min e minë são ambas palavras válidas, assim como o prefixo er-. Para “som”, a que eu utilizaria seria lin, que Tolkien dá como “um som musical” em Cartas:293. Com Korlaire em MR:107 sendo o único exemplo que eu conheço do encontro consonantal -rl-, eu chegaria relutantemente à palavra erlin (erlind-) como a minha tradução de án-swége para Quenya.
Não tenho muita certeza de como proceder em Sindarin. Er- pode ser utilizado nessa língua, mas S. lind (reconstruído do N. lhind, lhinn) seria o cognato do Q. lindë “ária, melodia”. Eu não sei se o S. lîn (N. lhîn) “piscina” poderia ou deveria possuir uma palavra homófona. Na melhor das hipóteses, teríamos provavelmente erlin em Sindarin também.
Aniversário da Amanye Tenceli com presentes!
Ontem, dia 3 de abril de 2009, o website Amanye Tenceli — especializado em escritas élficas — completou 10 anos! Para comemorar, Måns Björkman (criador do site) deu os seguintes presentes para os leitores:
- Pontuação em Tengwar: Eu particularmente sempre tenho dúvidas sobre como Tolkien estruturou a pontuação no Tengwar. Esse artigo será de grande auxílio a todos.
- Tengwar Eldamar v3: Måns atualizou a sua fonte. Se você utilizou o meu Compêndio de Fontes Élficas, eu sugiro que você atualize a fonte com a nova versão dele. Assim que possível atualizarei o meu compêndio.
- Quenya em Sarati: Quando eu criei o novo design do Tolkien e o Élfico e precisava de um elemento para separar a área de texto da barra lateral, me inspirei no Amanye Tenceli e o seu uso das Sarati, sistema de escrita que eu nunca havia dado muita atenção. Algo que eu notei é que não havia explicação de um sistema para Quenya, nem da época em que este ainda se escrevia Qenya. Agora há. E isso é muito bom.
A tradução brasileira do site ainda não está atualizada, mas creio que o Luciano (responsável pelo site) possa nos dar uma estimativa de quando ele o fará nos comentários.
Omentielva Nelya
Recebi hoje o anúncio oficial por e-mail da lista Lambengolmor de Anders Stenström sobre a Omentielva Nelya — o terceiro encontro mundial sobre línguas tolkienianas. A conferência, que já passou por Suécia e Bélgica, acontecerá desta vez na cidade de Whitehaven, na Inglaterra.
A taxa para participar do evento é £75. Isso inclui o preço do envio do Arda Philology 3 (que será criado a partir dos ensaios enviados pelos participantes do evento), todas as refeições e espaço para dormir.
Segue um mapa abaixo para quem não sabe onde é a cidade do evento.
Subjuntivo e condicional em Quenya
Algumas informações interessantes sobre o subjuntivo e o condicional que apareceram na Elfling desde a última postagem aqui. Antes de tudo, vale notar que em português brasileiro o tempo condicional é o futuro do pretérito, sendo o modo subjuntivo algo diferente. Já em inglês o modo subjuntivo é também chamado de modo condicional. O uso um tanto intercambiável dos termos nas mensagens abaixo é melhor compreendido com essa informação em mãos.
Após uma conversa com o meu caro Gabriel Brum, achamos melhor resumir da seguinte forma: A terminologia verbal abaixo se refere ao inglês, não aos tempos e modos que possuem o mesmo nome em português.
Vamos às mensagens:
B.P. Jonsson apontou, como eu já havia dito, que nauva serve tanto para “será” quanto para “seria”, de acordo com VT42:34. Em sua opinião, uma pessoa que queira expressar a palavra inglesa would deveria utilizar a desinência -uva.
Portanto o futuro no Quenya pode ser tentativamente usado em um sentido geral irrealis. Isto obviamente cria uma situação complexa, que é a questão se -uva pode ser adicionado à raiz do pretérito para formar um futuro-no-passado. Mesmo que não se queira ser tão temerário, o futuro parece a melhor forma neste momento de expressar “would”.
Petri Tikka lembrou das duas ocasiões onde o subjuntivo é atestado em Quenya. A primeira é em erenekkoitanie “que ele possa despertá-los” em VT14:5, no poema “The Elves of Koivienéni”, referindo-se a Oromë que viria para despertar os elfos no local que conhecemos como Cuiviénen n’O Silmarillion. Eren- seria “ele-eles” (é, é confuso assim mesmo), e ekkoitanie “tendo acordado”, de acordo com a análise de Christopher Gilson e Patrick Wynne.
A outra ocasião é em ullier “deveriam verter”, no fragmento de Lowdham de SD:246-7. O texto conta a história da Queda de Númenor, e esta palavra se refere a Númenor sendo engolida pelo mar: eari ullier ikilyanna “os mares deveriam verter ao abismo”.
Tikka diz que, apesar da raridade dessa forma, ele utiliza -nie para “expressar o modo condicional”. Segundo ele, o uso dessa desinência (que aparece mascarada em ullier porque neste caso ln > ll) nos exemplos criados por Tolkien é consistente com o uso do modo condicional no finlandês.
Opinião minha: Talvez isso explique por que o Professor decidiu mudar vánier para avánier do Namárië publicado em 1954 até o da Segunda Edição. Isso evitaria alguma confusão com o condicional.
Já o elemento ké (Qenya ki), diz ele, serviria como uma tradução para o ing. might, mas Petri fala que lhe parece que “essa formação expressa mais incerteza do que o mero condicional. Não é traduzido com would ou mesmo should, mas sim com may ou might.”
Dia de Ler Tolkien 2009
Eu não percebi que neste ano, por acaso, eu cumpri minha obrigação como fã de Tolkien: o Dia de Ler Tolkien, que acontece sempre no dia 25 de março, foi comemorado por mim lendo trechos do Vinyar Tengwar 14 e 42, assim como do Parma Eldalamberon 16. Tá valendo!
E como foi o Dia de Ler Tolkien para vocês?
Expressando a palavra “deveria”
Este é um problema com o qual eu mesmo me deparo de vez em quando: a palavra inglesa should “deveria” é complicada de se traduzir para o Quenya. Na mensagem 35305 da lista Elfling, o membro Herenvarno perguntou exatamente sobre isso. As soluções sugeridas foram:
Thorsten Renk:
Compulsão (obrigação, …) e liberdade da compulsão em élfico é consistentemente expressado através de construções impessoais. Nós encontramos exemplos em Noldorin, Sindarin, Qenya e Quenya. Portanto, uma pessoa não deveria usar apenas mauya ou ore — mas deveria também utilizar uma dessas construções, já que elas estão entre os poucos exemplos em que temos genuinamente ideia de como algo é expresso idiomaticamente em élfico…
A sugestão merece uma observação melhor do que posso dar agora.
Helge Fauskanger sugere algumas paráfrases:
“Você deveria vir ao banquete” = nauva mára qui tuluval i merendenna, “será bom se você vier ao banquete”, ou caruval mai tuliénen i merendenna “você fará bem ao vir ao banquete”.
Note que, em Quenya, não existe distinção entre futuro do pretérito e o futuro do presente: ambos são formados com a desinência -uva. Nauva pode ser traduzido, teoricamente, tanto como “será” quanto “seria”.
Torre de Babel em Quenya
Há 10 dias atrás na lista Elfling, o membro “Herenvarno” noticiou uma tradução conjunta dele com Helge Fauskanger da passagem em Genesis 11:1-9, que é a da Torre de Babel.
A tradução pode ser encontrada no site Omniglot, neste link.
Um novo layout mais ou menos pronto
Como vocês podem ver, eu mudei o layout do site. Não está espetacular, claro — eu não sou exatamente o melhor webdesigner do mundo. Mas eu acho que alcancei meu objetivo: o conteúdo está mais legível, e essa realmente deve ser, em minha mente, a preocupação nº 1 em um site sobre línguas.
Também não está finalizado. Só de colocar no ar eu percebi alguns problemas. Mas eu creio que o leitor deste blog não ficará muito aborrecido enquanto eu conserto: os benefícios devem ser maiores do que os malefícios neste curto período de tempo.

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